terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Não deixe o rubro da morte desvanecer
Vítimas da vida e de sua trivial morte rubra. Fomos alvos em cheio dos estilhaços de nossos próprios medos infantis... Esta é a única lembrança que evoca na memória. Como se houvesse algum impedimento das doçuras enjoativas e imbecilmente idealizadas retornassem em seu âmago de perfeição - irreal. Não é necessário afeto, apenas sentir pelo menos algum resquício de ódio, amor, embriaguez, insanidade... Seja lá o que sobrou.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Falsetas em faces metafóricas
Recebi uma visita, como sempre é inesperada... A metáfora quis se debater entre suas mil e uma faces, diante da minha. O que sempre significa um novo sentir, a salvação do pífio, o escalar do tédio. Em meio de dias que contém requins como trilha sonora, não há nem mesmo o velho jazz. E de diferentes maneiras, até o ideal se esconde em meio a monotonia cinza de um dia ensolarado onde os sorrisos se misturam com a charlatanice que vos salvam de mim.
É cansativo e irrelevante. Dizer o que é falado, mas sem se quer dar ouvidos ao seu próprio susurro... A “perfeita” vitória do bem... Até que a eterna luta entre o bem e o mal chegue a seu triunfal estopim. Os sorrisos se misturam com as feições verdadeiras e moribundas de quem não quer enxergar a metáfora sádica, sátira que a vida nos sucumbe sem nos orientar.
São verbos no imperativo, valores transcritos por cima do âmago esquecido até mesmo por quem sabia rezar. Dias vendidos à incapacidade de viver, feições a mostra sem sentir, e o que é mais preocupante: o descaso aparente da alma.
As crianças gritam, os gatos são cinzas, as metáforas são bobagens, a alma é imaterial e a consciência calou-se... A vida em teu seio é como degustar whiskey pelo olfato, sem poder beber – apenas não é estar.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A poesia em que vivíamos, o mover entre as curvas das palavras... Então preenchíamos o papel em branco com todo a minha bobagem poética, hoje desvanecida. A vontade de lhe relatar é imensa como a tua vivacidade essencial, porém, temo por me cativar pelos advérbios intensos e conjunções incertas, e perder-te sem te ter nessas. Eterno “talvez” de quaisquer condição mudar. A frustrada tentativa de captar o teu âmago em palavras e expressões intrínsecas ao meu modo.
- O medo de perder-me sem ter te apanhado
Antes que o vento da vida fechasse os portões da ida. -
domingo, 24 de julho de 2011
Estâncias para música - Byron

"Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.
Quando, do pensamento de antes, a paixão expira
Na triste decadência do sentir;
Não é na jovem face apenas o rubor
Que esvaia rápido, porém do pensamento a flor
Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.
Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
Praia que nunca atingirão os panos lacerados.
Então, frio mortal da alma, como a noite desce;
Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;
toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;
Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.
Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,
Na meia-noite já sem esperança de repouso:
É como na hera em torno de uma torre já arruinada,
Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.
Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,
Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;
Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:
No ermo da vida assim seria para mim o pranto."
Pranto doloroso, esperança equilibrista, e me pergunto é possível deliberar?
Without you
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Ao velho estranho

Talvez tu tenhas mudado de endereço, pois teu rumo é outro... Mas vou conseguir entregar-te o mais uma das minhas cartas pra um estranho. Não importa o descaso, ou se seja apenas jogada ao pó do passado... São necessidades que eu só vejo o quanto clamam-te quando me vejo em perigo.
É, estranho... A vida mudou muito desde o último desgosto (ou libertação), tudo tem andado por um caminho que nem mesmo tu me mostraste, e consegue ser tão impressionante como a estrada da noite cheia de luz que caminhamos de mãos atadas. Tão hermético é o descaso da vida, caminhos que estão por ser tão parecidos, que se repetem o fim, o início do final. Eu assisti ao meu próprio declínio, ao ver o fogo tornar-se gélido... Inversão de pólos, de poderes e valores.
Eu sempre achei que sem você eu desistiria, mas é surreal a forma em que nós mesmos nos geramos independência. Até mesmo onde meu orgulho foi parar, não? Há alguns mil anos, eu jamais lhe escreveria estas singelas palavras, depois de toda a batalha em que minha derrota fora trágica. Por fim, só queria lhe constatar este meu sentimento de catarse... E lhe contar que aquilo tudo vai se repetir, mas que por ventura tu não vais estar lá para virar a esquina do meu mundo, ou beber as minhas lágrimas de saudade... Ou até mesmo para oferecer-me uma manga ao pranto desesperado e infantil.
Faz muito, mas muito tempo que não tenho a mínima vontade de dar vida a meus sentimentos irracionais que não deliberam entre as possibilidades. Seja isto, porque minha vida tinha se acostumado a não estar acorrentada a aquele antigo anjo, ou seja lá o que fora... Isso tudo, meu amor, de saudade, passou a ser desespero. E a única coisa que consegui guardar disso foi a lembrança do quão amável você poderia ser e fora, e mesmo que tudo que tu dissesse fosse completa asneira, utopia e que corresse em minha mente como um filme no sense. Fora a tua alma bagunçada que sempre me foi convidativa... Acabando por organizar a minha maturidade reprimida.
Por fim, estranho... Era isso que eu queria lhe dizer, são quase dez horas da noite, o clima como sempre não é nada agradável... A Lua está dignamente linda... Agradeço-lhe ao tempo perdido. E ah, mande lembranças a merecedora da tua liberdade. Cuide-se até quando der, e a vida lhe permitir...
Até meu próximo desequilíbrio mental ou desastre, estranho.
"Não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois do fracasso e seguir em frente." Bukowski (Ah! Está tudo reorganizado, como os livros de empirismo em um uma prateleira de uma velha biblioteca, desde o último desgosto.)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Nitidez

Nitidez camuflada em esboço abstrato alinhado; Diante de cores vivas em prol de uma realidade morta; Ruído ao bater da porta, som do tiro sem alvo que vai-se abafado. Não há aviso de aparição, mas a harmoniosa inconstância de estar. Vai-se dia, ainda estando claro, permanece-se em angustia funérea. Volta-se e avança-se ao início, sem piedade nem mesmo tranquilidade. Recém atirado ao fogo, ateado a frieza do real. Não és Ades, não és deus, nem mesmo alteração sã. És ausência na presença.
Sem fundamento, nem eira, nem beira. Pouco possui destino, metafórico, porém uno. Onde está a substância? Onde está o sentido e a poesia? És um garoto com um tornado em suas mãos fracas, suspendidas por pulsos cortados por um passado irrelevante regado de inconsequência.
É o fim de mais um dia sem sombra, repleto de luz e ironia. O mundo sorri em nitidez morta que os pixeis projetam, a vida, a felicidade, a utopia regada de hipocrisia. Finda! Finda tudo isto! Carregue as verdades nas costas, mesmo que elas pesem, esqueça irreal que te cegaste por toda vida... Tampe os ouvidos, os tiros cessarão.
A tua mente correrá o mundo, todas as cores que nunca te mostraram que poderiam significar felicidade. O que está aqui é feito para amanhã degradar, é fugaz, como a juventude. Porém não como as verdades inatas. Que diante se ofusca diante dos holofotes, mostra ter outros olhos. Vão e inútil como a massa vital.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Horror Show em ruínas

O restante.
Ou o início? Ansiando o que jamais for tocado.
Sentimentos anônimos, provocados por percepções. Onde está a denominação? Escapa-me a mente, após a embriaguez de fatos expostos por palavras vãs, que mesmo sem valores atribuídos ás metáforas. Falta-me ânimo, mas hei de correr a favor do vento, juntamente com a angustia de dar a este sentir um nome, simples. A prosopopeia.
Mas agora... O restante está esgotado. Os dedos sangram após querer impedir a foice da realidade, que tenta atingir meu rosto para que ajam mais marcas. Fins voltando-se aos meios, o vento sobra em direção contrária. Não há mais, ou há, ou apenas não está e quer liberdade para que possa finalmente deliberar.
Mudança;
Plenitude;
Finalidade.
Agora e ontem, sem nem ao menos haver cisão de tempo. É a repetição sem virtude de se manifestar a favor de tudo que pertence ao ver, percepção. Sem estrutura, apenas baseado em orgulho... Mas agora, nada mais importa. Atiro-me ao som de jazz, as teorias escorrem pelo papel, sem resposta alguma... Porém nada se concretiza onde a torre se deteriora sem alicerce, a sombra do súbito fim. As ruínas caem por terra, como as cortinas se fecham em meio a uma tragédia. O Horror Show desvanece.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A ponte

Eu era rígido e frio, eu era uma ponte; estendido sobre um precipício eu estava. Aquém estavam as pontas dos pés, além, as mãos, encravadas; no lodo quebradiço mordi, firmando-me. As pontas da minha casaca ondeavam aos meus lados. No fundo rumorejava o gelado arroio das trutas. Nenhum turista se extraviava até estas alturas intrasitáveis, a ponte não figurava ainda nos mapas. Assim jazia eu e esperava; devia esperar. Nenhuma ponte que tenha sido construída alguma vez, pode deixar de ser ponte sem destruir-me.
Foi certa vez, para o entardecer – se foi o primeiro, se foi o milésimo, não o sei – meus pensamentos andavam sempre confusos, giravam, sempre em círculo. Para o entardecer, no verão, obscuramente murmurava o arroio, quando ouvi o passo de um homem. A mim, a mim. Estira-te, ponte, coloca-te em posição, viga órfã de balaústre, sustém aquele que te foi confiado. Nivela imperceptivelmente a incerteza de seu passo, mas se cambaleia, dá-te a conhecer e, como um deus da montanha, atira-o à terra firme.
Veio, golpeou-me com a ponta férrea de seu bastão, depois ergueu com ela as pontas de minha casaca e arrumou-as sobre mim. Com a ponta andou entre meu cabelo emaranhado e a deixou longo tempo ali dentro, olhando provavelmente com olhos selvagens ao seu redor. Mas então – quando eu sonhava atrás dele sobre montanhas e vales – saltou, caindo com ambos os pés na metade de meu corpo. Estremeci-me em meio da dor selvagem, ignorante de tudo o mais. Quem era? Uma criança? Um sonho? Um assaltante de estrada? Um suicida? Um tentador? Um destruidor? E voltei-me para vê-lo. A ponta de volta! Não me voltara ainda, e já me precipitava, precipitava-me e já estava dilacerado e varado nos pontiagudos calhaus que sempre me tinham olhado tão aprazilvelmente da água veloz.
Kafka.
Talvez fora a precisão contida em verbos, ou mais uma de minhas semelhanças com a (ex)solidão, habitante de uma mente. Ou algo imóvel que vê alguém, porém não sabe aquém ou o que. Apenas é, e passa pelos cabelos como vento, eternamente mutável e passageiro. Devaneio.
sábado, 21 de maio de 2011
Violet

Presumo que tuas mãos estejam cansadas de segurar o peso da ausência, pois as minhas cansaram-se de apontar pro distante e exaltarem o que não vejo. Você está oculto a mim, e eu não tenho medo de tocar-te ao mesmo... Acariciando ricos ponte-agudos e aguçados, cortar-me as pontas dos dedos. Porque sangrar é sentir, deixar espalhar-se dentro e fora de si, e queimar a coragem em recompensa.
Tragédia é minha arte, e se me partir em riscos... É um banal erro diante da humanidade de falhas, mas há prazer em viver... Nesse momento o hedonismo se exalta em pele, não há nada mais prazeroso em viver com a magnitude de um terremoto que estremece o padrão de existir. É como ser uma ametista em meio à treva do real. E vejo esta mesma pedra em teus olhos, renascendo fragmentos que rompem com a minha utópica realidade, fazendo vertigem minhas quimeras ousadas.
Isso tudo faz com que entre em catarse quando deparo-me com a vida carregava em meus olhos ontem. Vejo a plenitude correndo em minhas veias, porém antes era como rena tatuada nas paredes de insignificância de alguém, eu ao menos senti durar. Agora esta se faz ametista ao céu violeta de um mundo que sorri. Sucumba ao renascer em almas que brilham toda vez que olhas para o Sol.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Lacrimosa II

O termo realidade é relativo demais para ser concreto. Não faz sentido, é irônico, mas é o que torna a ser a partir do momento em que o mundo tende esvaziar-se de quaisquer sentimento fugaz. Como o sangue que corre entre suas veias, estivesse vazado por teus olhos ardendo-te a pele.
Lágrimas de sangue, de chuva e de perdão. Apenas são e secam por si só. E também são prova de que existe um mundo interno que se liberta por dor. Por fim, a vida triunfa sobre ele, para que sua existência (ou anomalia de existir) seja sanada.
O vazio me provoca a dizer o que antes era desabafo e descargo da dor - para que cartas antes destinadas a um estranho – hoje são apenas brasa, poeira de uma estrela morta.... Por fim, em mim apenas as cicatrizes das correntes do sacrifício estão por baixo da pele.
Anjos caem ao som de uma sinfonia qualquer, medos desaparecem juntamente com almas do passado... Não há mais mentiras para manter o controle. Mudança surge das cinzas
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Metaforicamente

O mundo caiu em minhas mãos, e em certos momentos não sei o que fazer dele, poderia arremessá-lo ao vento que uiva em direção ao fim. Porque eu acredito que já o vi, pelo simples fato de nada começar por si. Acabei decidindo por princípios próprios... O “let it be” da vida é intenso, mas a distimia é tão gélida quanto estar em meio a multidão que grita verdades que você não quer ouvir, o que fez com que me levantasse e reagisse contra a ausência.
Domingo 06:56 a.m
Acordar com a sensação de que todo o teu ontem é hoje. A tua vida possui aquela simplicidade já decifrada, dúvidas em seu devido lugar... Ressaca física de estar embriagada de sobriedade. Lucidez.
Não, não há nada em seu devido lugar. Muito pelo contrário.
Então seu consciente desperta. Não há ! Até mesmo teus cabelos mudaram, o som da tua voz te assusta... As paredes perderam a cor, e o Sol nem ao menos está lá... E é aí que percebo novamente, vi o fim, vi a morte de um eu que hoje mal reconheço ou tenho medo de reconhecer.
Talvez seja filosófico, metafísico, aristotélico, platônico, utópico, rebuscado, complexo demais... Mas ainda existe essência. E tua alma sempre te guiará a ela. O teu ontem, irá lembrar o teu princípio que hoje foi colocado em prática, mas não com tanto fervor idealizado... O teu amanhã não será como ontem e nem hoje, mas há o que carregar em teus bolsos, o simples fato do vivido, do sofrido, do valorizado que tua essência conhece como um pastor a suas ovelhas.
É, ando vivendo por metáforas que só fazem sentido lidas pelo meu eu-rílico. E quando vivo desta forma, o tempo não é o mesmo... Até mais devagar que o próprio pulsar do peito.
Ps: Mudanças de interlocutor proposital. @thhs_ :)
terça-feira, 3 de maio de 2011
Topo quimérico

Estou transbordando. Deixando escapar o que na verdade queria conter, ou que ao menos nem estivesse aqui. Fazia tanto tempo que lágrimas não queimavam-me a pele, e mais tempo ainda que clichês não ocupavam o papel. Chegou a tal ponto que, empilhei todos os sentimentos que quebraram-se e espalharam-se pelo chão... Escalei até o topo, e me atirei de volta sobre todos eles. Pude sentir cada um deles outra vez, com a intensidade de um jovem fugaz que precisava conhecer o mundo a velocidade da poeira ao vento.
Começo a rever o ontem a partir do que escrevo... Velhas expressões e palavras nulas para o ontem recente e o hoje que se reflete.
Mas não está tudo bem canalizado. O tom dramático é uma tentativa de suprimento, quando na verdade nada pode ser feito. É um labirinto e ao mesmo tempo um dominó que cai em seu efeito enquanto me rege, com suas flechadas de ideologias dogmáticas que tentam penetrar-me a mente. Minha alma é me escudo que não devolve nada além de uma mera anomalia antagônica ao mundo.
Pode ser que seja uma miragem do deste retrato de horror exposto aqui, mas todas as carências se exaltam, está no sangue que fora jorrado pelo cadáver do monstroso: passado.
Metáforas sem sentido, um verdadeiro horrorshow de fragmentos que desencadeiam dentro da realidade. O “real” que não se desprende da escuridão, dos fantasmas que foram heróis e hoje são meros inimigos... O que não é puro e nem sóbrio para ser provado.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Bobagens poéticas

Eu poderia contar-lhe uma história, mas ai lembrei-me que não sou uma boa contadora. Mesmo sabendo o que vivi com a total convicção, porém, só consigo compreender plenamente através do que senti. Toda esta bobagem poética com rimas vazias, me consome pensamentos livres e distantes. Prosopopeia corre por minhas veias, e Werther ocupa minha alma nos fins de tarde, como as de alguns dias...
Pensamentos... Que só surgem em momentos de clemência de um amante. A redenção, pois o amor está arrancando-lhe o que resta de forças sem base. Então surgem-lhes doces memória que de repente se dissolvem em amarga realidade, o hoje. Você se entrega, para depois implorar por apoio... Desejar a eutanásia no fastígio do teu sofrimento vão em meio a uma guerra sem argumentos racionais, porém de emoções incontroláveis e verdades inacessíveis. As batalhas são constantes, mas não há vencedor e nem tática viável.
Veja.
Acabo de lhe contar uma história, mas sobre alguém que nem ao menos conheço por inteiro, mas que presenciou o holocausto de” flechas em fogo”... Não gosto de dizer a palavra “amor”, é um termo tão pejorativo, embora seja forte e ambíguo. E ás vezes eu me pergunto qual o sentido dele em meio ao mundo... Nunca obtive resposta, e ás vezes prefiro conviver com a dúvida, pois quando falta-me o que escrever... Lembrar que existe o sinônimo de ser um perfeito amante redentor é também ser um sofredor (lembre-se da bobagem poética, ela me encanta – ainda)...
Tem dias que devaneios invadem a minha mente, por coisas cotidianas tão simples; como olhar pela janela do carro e ver o mundo mover-se a minha volta, a luz do sol á um único ponto, ou qualquer coisa que não se exaltem em meio a multidão. Acho que isso é saudade, de algo que estava sempre em minha mente que não sobrevive vazia.
Esta presença na ausência que me leva a recaídas, que na verdade são tombos... Abalos sísmicos para meu psicólogico (saudade em exagero)... É, é muito pouco... Pra quase nada do que foi. Um sofrimento em vão, mas que ultrapassa as linhas de controle, orgulho.
Veja novamente.
O rumo e o desenrolar destas minhas palavras embriagadas é antagônico ao início. Acho que isso é vida... Começamos a nascer gritando, passamos nossa infância sorrindo pra maioria das coisas... A juventude é embriagada por felicidades ilusórias, e o resto é só o resto da minha bobagem poética. Eu não sei dizer nada sobre a vida, e nem sobre o tal do “amor”. Eu só sei que tudo muda com tal velocidade... Que nem a cor dos meus cabelos consegue acompanhar. Nem mesmo meu piscar de olhos. Está tudo acontecendo.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Auto retrato em essência crua

>>>>>>> PLAY
“O banho estava frio, tanto que mal sentia em minha pele. Fechei meus olhos e deixei que a água levasse o restante de tulmutuosas linhas de pensamentos que afligiam minha mente, e mesmo que as mude mil vezes... ela ainda se afligirá e sangrará. E minha imagem no espelho já não é a mesma, minha cor está mais desvanecida que a de costume, meus olhos não possuem o mesmo brilho – nem mesmo se estiverem entorpecidos, minhas mãos estão cansadas e minhas face exibe todas as marcas de sorrisos desfeitos que se transformaram em cicatrizes profundas, irreversíveis.
Minhas vísceras se retorcem, se reduzem a meus segredos sujos. Porém, mostro-me indiferente a um miocárdio vazio e ofegante. É domingo de manhã, não há ninguém em casa... Assim me encontro depois de um banho de alma, de um auto-retrato no espelho que implorava por ajuda sem ao menos gritar, afogando-se lentamente em verdades ácidas. E ao sair porta fora, minha sombra corria por tudo que estava imóvel, mas ao mesmo tempo constante.
Contradições estavam estampadas nas paredes sujas de perdão em meu próprio quarto, as cortinas dançavam ao rítimo das canções sangrentas de desistências similares a perdas, lágrimas. E as portas se abriam a minha frente, fechando-se para a liberdade ao lado o oposto. Meus olhos apenas almejavam fechar-se, e minha mente não queria acreditar que quando os mesmos o fizessem, eu enxergaria o que se passava dentro de mim: desespero puro e proeminente. Deitei-me em meu pranto, em um utópico sono desperto, para que a assombração passada leve a essência amedrontadora da dor.”
Oscilações e pensamentos sombrios em momentos de vazio emocional. A falta de loucura e medo de fraquejar se desfazendo diante do não-ser. Fraqueza diante de ações transcendentes da insanidade, mas simultâneamente emancipando-se do que é ontem.
O auto-retrato em catarse de quem o desmembra em palavras curtas e sorrateiras. A morada de minhas alucinações sóbrias em um momento de vazio eterno, o que consegui captar em prosopopeia.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Parte do que me faz forte

A direção e o sentido são engrenagens de uma vida em total funcionamento. Eu entendo, eu compreendo e posso repetir isso milhões de vezes na vida: Apenas quem perdeu o intuito de viver pode! E ao mesmo tempo eu consigo sentir um desregramento de almas tão distantes próximas ao ponto das carências se exaltarem. A empatia por tudo que é arte, por tudo que nos mostra como é ser por dentro... O que gera apatia em uma sociedade extremamente embriagada por ódio.
Fostes inteiramente verdadeiro com tudo, com a tua vida. E por tanto tempo assumiu o controle de tantos altos e baixos de uma mente conturbada. A heroína foi apenas um erro, mas a tua arte te fez dono de ti. A tua vida nos fez perceber que o auge não é o ápice para a alma, pois pode-se ter tudo e em outro segundo nada, não restam nem as sombras.
E acima de tudo, ninguém é capaz de negar que és um ícone, um anjo. E que a tua vida ultrapassou a tua dor, e a tua alma ainda vive nas mentes de quem te admira, pois a tragédia fez a tua arte e é melhor queimar do que se apagar aos poucos.
17 anos sem Kurt Cobain.
domingo, 3 de abril de 2011
Personas

Declínio e esfalfamento. Estamos a um ponto tão extremo que nem minhas antigas músicas suprem o que eu chamava de solidão. A vida apenas está, e estou inquieta diante dela, porém sei que estou vazia. E então um mundo de possibilidades de preenchimento se abre a sua frente, vislumbro-me, e meus olhos até se ofuscam por medo, mas nenhuma delas se encaixa.
Quanto mais o tempo passa, por sua vez vai se perdendo relevância de certas escolhas. O passado passa significar um milhão de milhas de tua vida, mas o futuro te pesa mais a caminhar. E essa somatória de tudo que rege a vida, me faz ficar cada vez mais solta de minhas utopias genéricas de uma tarde de verão, mas ainda só, apenas eu e o mundo. Tão só que nem meu próprio ruído de dor posso ouvir, pois sinto e não sinto como vai e não vem, mas a certeza do “não” persiste.
Não há o extremo, não há o ápice e nem o declínio. O que tanto me irrita... Não chego a sentir o cruciforme que alastra o peito e que me leva a um caminho árduo, pois nada em minha vida dissemina, nada mais além de sentido, rotina.
E o que há de tão vazio em ser rotineiro e distímico? Minha hipérbole, o meu romantismo em tudo que toco. Eu quero. Eu sangro a vida de Goethe. Venero o suicídio e o amor amante, constante e categórico. Pois em toda minha vida, posso garantir, não há nada mais nocivo do que nada sentir quando lhe reproduzem a palavra “amor” ou “saudade”.
Garanto-te também, que não há fraqueza mais branda, em admitir o que se sente, fraco é o quem se nega. Porque o amor te traz distimia, te faz perder o sentido e cair na rotina (eu mesma lhe disse ali acima, é verídico), mas sem o que chamo de “amor amante”... Meus romances/desabafos/declarações jamais teriam existido. Também não teria trazido a vida memórias e carências de minha infância, o que tanto me traça um objetivo antigo, com mais intensidade. Ai surge-me a ideia do que eu fui, tantas coisas velhas foram jogadas fora e perdoadas por estarem ali a tanto tempo, e tantas outras ganharam espaço como essência. Não há como dizer que foi ruim, doeu, mas passou. Sangrou, mas fechou. Começou, mas como tudo ganhou fim. Sem suicídio do corpo, apenas de mais uma das mil e uma personas.

"(...) É como amar uma mulher só linda. E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor, e pra ser só perdão."
(Samba da bênção - Vinícius de Moraes)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Ainda é.

Você é uma parte de mim, a qual eu nunca contei a ninguém. Talvez eu seja fraca demais por guardar algo que seja difícil de definir. Partes de você ainda me pertencem, sem elas eu estaria sozinha no escuro, sem a proteção de todos os anjos que me regiam... Ontem.
Todos os anjos estão mortos, e as verdades estão junto a eles debaixo da tumba que separou a realidade de ambos. E em algum lugar ainda resta vestígios de sentimentos plenos como antes? Eu realmente cansei de enfeitar palavras, inverter sentidos e resgatar prosopopéias... Eu apenas procurei por respostas, e um lugar seguro para que houvesse vida... Vida doce e amorosa, como dissera tu.
Mas já corri por minhas veias, para verificar se ainda há alguma partícula de esperança... É lá, restou apenas nossos antigos medos, e guerra de nossos opostos vitais, porém nenhum motivo. Já não é nem mais saudade, nem mais refúgio, nem mais angústia... Apenas é, e um “é” dentro de mim, que cada vez mais se torna impessoal e indiferente ao que foi... Mas ainda é. É sem eira nem beira, apenas porque está lá... E em algum momento há de sangrar.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Impessoal.

Não é vazio, já passou disso. Não é medo, já tomou coragem. Não é angústia, pois não houve culpa que o coubesse sentir. Apenas é. Um “é” impessoal, mas ao mesmo tempo é essência do não ser e do ser. Palavras que possam distinguir possuem sentido excêntrico e inexistente para apenas significar. Foi-se o tempo de eternos dias pífios, e á cada dia há a eterna mudança hermética, mas ao mesmo tempo simplesmente o “é”.
É confuso e obscuro de relevar. Mas o que está em questão é o presente. Não se sabe passado, e não se quer futuro. Houve a ruptura com o tempo fugaz, houve um pacto com o tempo pleno em ser constante, mas não podendo existir passado e exercer a função de desaparecer. Tempo que agradece pela tragédia para poder fazer arte, frívolo e gélido – real. Afogue-o em uma garrafa de mentiras da realidade na vertigem do que foi, puxando-te a arder com teu “é” pessoal, o interior que havia de ser tu, e a escolha de quem fez que se foi um dia, o “é” era, já passou...
O tempo de mudar foi e voltou. O fogo queima todas as tuas verdades, dores e carências. Sua alma entra em combustão com o teu antigo ser, perturbações funéreas. Caminhaneste até o precipício, para voltar e nos dizer que é o fim... Todo o fim que tanto esperou, o final que não passa de um início colossal. Teu “é” agora é treva, o teu velho eu diante da guilhotina da tua dor que passou a esquecer de ti, e tornar-te tu... Ontem.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Tudo que é real (agora).

Nós tinhamos tudo que era necessário. Todo o sentimento, toda a verdade e um pedaço do paraíso. Mas não tinhamos tempo, e nem noção de tudo que possuímos e que escapou por entre nossos dedos. E veja agora, não sobrou mais nada, nem mesmo lágrimas de sangue; nem mesmo lembranças e vontade de ouvir sobre elas. Ou até de sentir a tua vida novamente.
Não há nada que possa dizer ou demonstrar que tudo vai ficar bem. E nem que novas diretrizes irão surgir em sua direção. Você costumava a ser a chave-mestra para todas as portas de todos os meus medos, desejos e fantasmas eternos. Mas como o dia, o amor chega ao fim, perde toda a ilusão, a utopia e brilho de ser perfeito.
A saudade sufoca qualquer pulsar, arranca o fôlego como um predador arranca a carne de sua presa, até seu último suspiro... Não vou dizer que tudo se foi como eu realmente queria que fosse... O medo de tudo isso relatar me tomou conta, cheguei ao ponto de temer em escrever tudo isso. Já é hora de encarar todas as minhas, as tuas e nossas palavras frias que justificaram o fim sem motivo amoroso. Nós seguimos por estradas contrárias, porém com sentimentos em comum.
É... As criaturas mais felizes do universo, são aquelas que não têm medo de mostrar o mundo que há por dentro de si, o sentimento que pulsa miocárdio a dentro... Mas desta vez a velha armadura inibiu-me disso tudo, até mesmo de tentar não sentir. Eu realmente não estou mais perdida, porque agora sei por onde ir. E não é mais junto a ti, nem ao inferno de dor plena. É arremessar-me ao que é real, á vida, junto a anjos distantes de tua alma afoita.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Possibilidades.

A maioria das pessoas estão a procura por respostas, mas eu estou a procura de perguntas. Sempre acreditei ter respostas para o que eu vivi, senti ou o que for que esteja para acontecer. A vida que me faz ter a impressão de que posso prever o ápice e o declínio dos fatos. É implantar um sistema pra tudo, e tudo acaba se tornando rotina: começo esplendoroso, meio rotineiro, e fim em que a culpa é entregue para que meu orgulho de ouro vença.
O amor e a esperança estão acorrentados. Deixei a realidade livre, mas será que esta sabe o que realmente é a liberdade? Não. Pois ela não se desfaz do que a fere, é real até sangrar os olhos em lágrimas, acorrentando as esperanças. A única forma de liberdade é estar livre de aprisionar alguém, ou algo ao teu peito. O teu sistema é um ladrão imperdoável, pois te rouba chances de encontrar o que insanos dizem ser felicidade.
O eco de todas as minhas teorias sobre quem sou, está me assombrando pelo meu mero medo de ser, e deixar seja, mesmo que eu a impeça ela será, me martelando a mente até que me enquadre. E supere medo de atirar-se ao mar de fogo e não conseguir vencer Hades as trevas para se salvar da mesma vida que martelará-te os dedos.
A vida te dá o amor, a paz, a liberdade e você pode desperdiçá-los. Mas a única coisa que a vida entrega-te e não toma, são as memórias construídas de um momento pleno de felicidade. Não tenha medo de viver o que não está ao alcance de seu entendimento, o que é essencial os olhos não vêem, apenas se sente pela alma.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
in Fire.

O dia vira noite, enquanto minha pele se queima na fogueira que te aquece. Como um herége é punido por apenas acreditar que o amor não existe, ou que seja ficção, ilusão... Mero conceito utópico. O amor corrompe a solidão, o amor nos torna imortais; quer algo pior que isso? A dor de viver eternamente para que atormentemos e sejamos atormentados.
Lendas regem que podemos ser felizes para sempre, mas ninguém é toalmente – nem cem por cento, nem noventa e nove. Existem dias pífios, noites frias demais para que sejamos aquecidos com o calor de alguém que está lá por mera rotina, e não mais por prazer. A vida não é movida pelo amor, assim como tudo ele é mutável, assim como a dor, o medo e a razão. O pulsar do mundo é mutar-se a cada novo dia... Seguir a regra do devir, é o que unicamente nos é concreto.
Amor não se toca, nem se perde. O amor é mutável, assim como o fogo que me queima em tua fogueira perversa.
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