quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Kingdom of Possession.


Negar... É o que eu mais tenho feito, e a verdade está escondida debaixo de minha eterna armadura de orgulho, o que me corrói. Talvez seja benéfico guardar, enterrar dentro de mim o que não faz mais sentido. Não havia apenas tu neste reino de perturbações, havia mais... Mais uma mente e um pulsar firme no qual me importo em manter forte e imutável: meu eterno ego, meu escudo negro, meu eu. Não apenas - não mais - o teu inimigo: o meu orgulho antigo; o que tornou-se meu eterno narcisismo de viver.

A tua coroa partiu-se em mil e um pedaços de possessão - que não mais lhe pertence. És previsível demais, em todas as tuas atitudes e olhares desconfortáveis... Não possui veracidade em tuas palavras, apenas tua repressão por medos infantis. Ou talvez não seja nada disso, ou nunca fora... Não há mais “talvezes” por estas bandas... Foi-se o incontrolável imperador do tempo, e a memória falha em tentar perceber o teu devir agir, o meu ser narciso aceitar. Onde está o velho herói dos sonhos épicos?

O amor fora tampouco, mas ao mesmo tempo constante e fugaz, para que não fora eterno também. O restante de dúvidas causam a eternidade de cada momento de súplica, de cada perda de fôlego em meio ao fim de tarde, onde as respostas não surgiam em meio ás lágrimas de sangue de dores que desatinavam em meio a guerra de anseios. Não há mais nada, e tu não estás mais aqui para me convencer de que tudo voltará a ser real, em algum momento em que eu puder me libertar de minha própria alma. Alma afiada que me corta, ao tentar tocá-la.

Chega ao fim, o conto épico sem final. Sem morte, eternidade... Nem mesmo fim, em lugar algum, pois as páginas foram deixadas em branco... E aqui, quem vos fala, cansou-se de escrever... Cansou-se de sentir, causou-se da infinidade de pertencer apenas a este papel. O teu reino de possessão e luxúria vai á ascensão do declínio de toda minha dor, que vai sem previsão de aqui estar novamente.


"Dahlia bathed in possession."

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

In The Shadow.

Então você se apega apenas a suas palavras, e nada mais pode sentir. Há uma brisa gelada dentro de ti. Não há mais nada além disso... Foi o que restou, depois que nada mais foi possível sentir, e nem mesmo respirar. É tarde demais para reparar carências antigas, para recomeçar como se não houvessem rachaduras para impedir uma nova vida sobre as lembranças.

A vida foi fugaz por si, e muito deixou para me assolar. Mas agora, nada mais sei, nem mesmo como sentir o que é, ou poderia ser real. É apenas um império de vazio que justifica o fim, o fim que ao menos me deixou respirar, porém me deixou sangrar. Um império de sujeira, e de medo, um império de sentimentos congelados por gelo nórdico.

Devo a mim um único perdão, por deixar a distimia tomar conta de tudo que ainda possuía cor, e não estava sujo por lágrimas de sangue. Devo me perdoar por me deixar morrer, como uma pedra que cai precipício abaixo. As sombras tomaram conta de tudo que ainda me era utópico e nostálgico, até que meus anjos se tornaram fantasmas. E a face de meus antigos heróis, hoje não passam de cadáveres mal decompostos. Frágil é a vida, frágil é sentir, frágil é possuir. Um dia se é vivo, e no outro não passa de um fantasma inerte diante da sepulto do que costumava a ser, sem dali poder voar.



Caia, caia então. A tua queda livre, o teu declínio diante de tuas faces fantasmagóricas e tua overdose de vazio imundo. Porque agora, é incapaz de sentir quaisquer humilde dor de amar, perder e precisar. Tornou-se o que sempre quis ser, apático e impermeável a qualquer dor e carência a se exaltar. O que então, tornou você a ser assim? Não és nem a sombra do que fostes ontem... Ou em outra vida.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Todas as desculpas.


As pessoas se encontram em outras, pelo simples fato de terem fraquezas e carências em comum. A empatia do sofrimento. Dor é o que realmente te faz humano, te faz chegar ao fundo do poço... Mergulhar fundo em todas as emoções que existem dentro de ti, o porão sombrio dentro de cada velho abandonado.

Viver sufoca, viver corrompe. Viver é um exagero, porque há algo no caminho o tempo todo, há sempre um equívoco a tudo que és, e ao que não és. Há um paradigma sórdido, a tua classificação, a tua reputação, mas também há a verdade inerte dentro de uma caixa em forma de coração: a tua contradição para com o mundo. Enquanto apontam-te o dedo, por seres uma anomalia, quando na verdade eles realmente te querem, abate para fazeres parte.

Floresça então, dentro desta sociedade apática. Sem paz nem amor, apenas dois dedos, e uma música maçante que digeres em teu planeta alienado: a tua mente. Este é teu frívolo viver moderno. Todos se dizem sofrer pelas mesmas coisas, pelo mesmo cotidiano pífio para sermos os mesmos em todos os sentidos. Mas será que no íntimo de cada um a essência foi diminuída por esse soberbo poder externo de condicionar?

A vida te fode, e ninguém morre virgem. Essa é a verdade posta a nossa frente. Não somos visionários, pois possuímos as mesmas dores de séculos passados, somos a infecção dos pulmões do mundo. E não há chá de poejo que nos faça parar de tossir, e exaltar nossas carências.

Somos todas as desculpas do mundo, elas nos safam da verdade. Elas querem inibir o poder de sermos humanos. O poder de viver, amar, errar e morrer. É... eu realmente desejaria ser como és, poucos problemas enquanto vives. Estás dopado de toda a essência capitalista, todo o poder de inibir a tua liberdade. Todo o poder que exerce a homofobia, os culpados pela fome, dor e desigualdade.

E diante disso, aceitar todas as desculpas te faz o maior culpado. E te rebaixa ao nível mais inferior de humanidade real. O que mais poderias ser? Todas as desculpas.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Arquétipo do viver.


Não é meu coração que está partido. Porém, existem pedaços de mim pelo chão. Partes que não possuem quaisquer definição. E hoje, podes mergulhar em meus olhos, mergulhar profundamente em sangue injetado que lá está. Porque fúria, foi o que deixaste, antes de me deixar morrer. És como algo no caminho, mais que isso, és como uma infecção mente a dentro.

Palavras são como chamas. Lembranças são apenas equívocos utópicos. Vazio é insistir. Vai, e vai... Até que o que costumava ser torna-se poeira, relentando-se diante da vida. Quimérico é o passado, quimérico é o destino, arquétipo do viver inocente de um velho anjo morto.

A verdade intravenosa é o que deveria te afogar. O teu doce amargo sacrifício, a morte de várias de tuas pernosas para que novas possam nascer. Mas mesmo que exista a chance de recomeçar, as marcas não negam o que se deixou morrer. Por orgulho e solidão.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Angels lie to keep control parte II.


Amor é como um suícidio indiretamente encomendado. Mas que está dentro de uma grande caixa, que te ata em um laço maior ainda... Para que faças parte deste embrulho desastroso.

O amor mata. O amor é humano. O amor é finito. Duvidoso suplício que nos faz mergulhar.

Idealize o poder imune e amoroso ao que nos é racional: Idealizações não passam de ilusões que tentam tocar a perfeição. Não há! Não somos primorosos o suficiente para tanta pretensão. Somos seres inacabados, assim como o amor foi criado, mas sem conclusão... Longe de discernimos o suficiente para sermos plenamente felizes e ao mesmo tempo livres.

Não poderás lutar com as lágrimas que virão... E tua vida atirada a outro alguém, que ali para ti não está. És volúvel, amor... És limitado? Não és recíproco! Não irás voltar quando a chuva cessar? Não renovo esperanças inerentes. És um equívoco, és um, apenas e mais um. Vai e vem, mas não volte. Fuja para que eu me encontre.

Eu não me perco! Não me perco mais. Sou amarga, sou sórdida e tola... Fui amante. Sou constante. Sou fria. Sou humana. Sou um anjo que mente para manter o controle.

Parte I

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Portas fechadas para memórias.


Enquanto Nietzsche afirma que só é feliz quem tem memória fraca para reviver inúmeras vezes a mesma coisa com o mesmo olhar... O epicurismo diz o oposto, as boas memórias constituem a felicidade. Sobretudo, o que no passado foi bom, no presente pode tornar-se um suplício, e já não é tão reconfortante lembrar. Já não é como a primeira vez. Torna-se amargo por si, desatina a dor de não ser e ter o que não é e não se possui.

Venho a procura do êxtase. Mas não sei qual e nem qual chave dos meus sentimentos usar.

Talvez o que eu procure seja o quê que me leve ao fundo do posso com minhas emoções mais intensas e frias. Ou de mudanças repentinas e desiguais, no ápice de um pouco de liberdade e desordens, mas desordens que valham a pena descoscertar o que há, para o que virá. Talvez sejam estes os ápices de sentir passados. E o que eu preciso é ter um pouco de memória fraca... Que falhe nas lembranças que me fazem não sentir muito. Poder estar diante das mesmas coisas, e sentir o gosto da primeira vez. Mas a verdade seva é que êxtases... Nós não procuramos, porém, eles nos procuram, como uma epifania em um dia em que a distimia te roube alegria.

Mas o que realmente fica, são memórias, impressões. Elas nos fazem felizes... Ou tristes, e quando não se tem memória fraca... O foco de pouco querer sofrer se opõe as memórias frustrantes, aos anjos que viram fantasmas. A vida que se esvaída por viver. Abra a porta, pois o que é vida é de ti, de dentro para fora.


"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez." (F. Nietzsche - Frase atribuída)

"Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais." (Epicuro - Carta a Meneceu)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Wasting love.


Eu não consigo escrever...
Apenas isso. É, não é apenas isso... Eu também não consigo sentir. Ou se sente, ou não. E está sendo assim. O que existe, é apenas angustia e medo de tomar decisões em falso... Como se ninguém pudesse fazer meu dia melhor, ou me tirar de uma doentia solidão.

Eu desperdiço amor, por todos os lados, e estou convicta disso. Mas meu coração quer estar inerte diante de todo este equívoco que a vida faz de ser. Pessoas desvanecem e declinam, e algumas mostram a realidade de quem são.

Meu amor amante, algo brigante, como a luz da Lua entre nuvens. Amor vital, paternal, maternal... O martírio. E é ai que o erro vem com tanta intensidade, que minha mente entra em transe: o tempo passa... É o que há de mais incontrolável na vida! Não és eterno, feliz e nem jovem por toda a vida... “Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.

É o passar por dias vazios. Desperdiçando intensidade, com cigarros, café e o velho Rock ‘n’ Roll.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Anywhere.


Alguns sentimentos são como as águas de um rio... Nunca será como a primeira vez. Ninguém entra no mesmo rio duas vezes. Águas passam enquanto o mundo suspira a dor da existência. É assim que a vida me faz sentir... Quanto mais tu luta e te esforça para encontrar a essência do sentir, a impressão da primeira vez permanece intacta dentro da mente de quem se desprendeu por vontade, ou sacrifício, por uma imensa contradição ilícita.

O que leva a indiferença dentre o que é ser humano: o verdadeiro sentir. De uma forma sincera e bruta, porém sutil, relato minha verdade, que talvez seja a única certeira: Diante de que é meu mundo ser e sentir estão eternamente ligados. Pois tu és uma somatória de sentimentos, o que proporciona tuas experiências vitais, só assim podes ser um verdadeiro humano, o sentir inato, a tua epifania a luz da manhã fria e calma.

E então, talvez tudo esteja mais claro. Mas minhas cicatrizes são enfáticas, pois amor verdadeiro é suicídio inerente com o sentir simultâneo... Como pólvora dentre os neurônios de um insano, e uma estaca peito ao meio. O que tem poder de corromper, desgraçar, sangrar... Mas com um tanto de idealização doce e amorosa. O que eu não sei mais, por em prosopopeia, na minha justa prática de escrever e matar um pouco do que aenti, ou fortalecer...

Talvez eu ainda procure, apenas para ser um tanto humana e venturosa, mesmo que por nostalgia. Mas, com o tempo, e como rio, o devir age diretamente fazendo com que a vida seja mutável e efêmera... Na morada da juventude e do inesperado, o verdadeiro surpreendente e livre. O que o vento e o tempo carregam com leve tom fugaz e traiçoeiro... Que desaparece, assim como o que fui e foi, e sou. Assim como os surtos da tua mente em um dia pífio, em algum lugar diante da luz do nascer do dia.

...Where love is more than just your name.