
Enquanto Nietzsche afirma que só é feliz quem tem memória fraca para reviver inúmeras vezes a mesma coisa com o mesmo olhar... O epicurismo diz o oposto, as boas memórias constituem a felicidade. Sobretudo, o que no passado foi bom, no presente pode tornar-se um suplício, e já não é tão reconfortante lembrar. Já não é como a primeira vez. Torna-se amargo por si, desatina a dor de não ser e ter o que não é e não se possui.
Venho a procura do êxtase. Mas não sei qual e nem qual chave dos meus sentimentos usar.
Talvez o que eu procure seja o quê que me leve ao fundo do posso com minhas emoções mais intensas e frias. Ou de mudanças repentinas e desiguais, no ápice de um pouco de liberdade e desordens, mas desordens que valham a pena descoscertar o que há, para o que virá. Talvez sejam estes os ápices de sentir passados. E o que eu preciso é ter um pouco de memória fraca... Que falhe nas lembranças que me fazem não sentir muito. Poder estar diante das mesmas coisas, e sentir o gosto da primeira vez. Mas a verdade seva é que êxtases... Nós não procuramos, porém, eles nos procuram, como uma epifania em um dia em que a distimia te roube alegria.
Mas o que realmente fica, são memórias, impressões. Elas nos fazem felizes... Ou tristes, e quando não se tem memória fraca... O foco de pouco querer sofrer se opõe as memórias frustrantes, aos anjos que viram fantasmas. A vida que se esvaída por viver. Abra a porta, pois o que é vida é de ti, de dentro para fora.
"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez." (F. Nietzsche - Frase atribuída)
"Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais." (Epicuro - Carta a Meneceu)
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