domingo, 24 de julho de 2011

Estâncias para música - Byron


"Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.
Quando, do pensamento de antes, a paixão expira
Na triste decadência do sentir;
Não é na jovem face apenas o rubor
Que esvaia rápido, porém do pensamento a flor
Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.

Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
Praia que nunca atingirão os panos lacerados.

Então, frio mortal da alma, como a noite desce;
Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;
toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;
Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.

Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,
Na meia-noite já sem esperança de repouso:
É como na hera em torno de uma torre já arruinada,
Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.

Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,
Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;
Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:
No ermo da vida assim seria para mim o pranto."

Pranto doloroso, esperança equilibrista, e me pergunto é possível deliberar?

Without you


Você se nega a acreditar no que te transporta à perfeição imperfeita. Agarra o egoísmo e cospe a cara da verdade… Quando na realidade tudo que quer dizer é que sente… falta, necessidade… saudade.

Faça meu dia melhor, por mais que a vida arda em realidade.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ao velho estranho


Talvez tu tenhas mudado de endereço, pois teu rumo é outro... Mas vou conseguir entregar-te o mais uma das minhas cartas pra um estranho. Não importa o descaso, ou se seja apenas jogada ao pó do passado... São necessidades que eu só vejo o quanto clamam-te quando me vejo em perigo.

É, estranho... A vida mudou muito desde o último desgosto (ou libertação), tudo tem andado por um caminho que nem mesmo tu me mostraste, e consegue ser tão impressionante como a estrada da noite cheia de luz que caminhamos de mãos atadas. Tão hermético é o descaso da vida, caminhos que estão por ser tão parecidos, que se repetem o fim, o início do final. Eu assisti ao meu próprio declínio, ao ver o fogo tornar-se gélido... Inversão de pólos, de poderes e valores.

Eu sempre achei que sem você eu desistiria, mas é surreal a forma em que nós mesmos nos geramos independência. Até mesmo onde meu orgulho foi parar, não? Há alguns mil anos, eu jamais lhe escreveria estas singelas palavras, depois de toda a batalha em que minha derrota fora trágica. Por fim, só queria lhe constatar este meu sentimento de catarse... E lhe contar que aquilo tudo vai se repetir, mas que por ventura tu não vais estar lá para virar a esquina do meu mundo, ou beber as minhas lágrimas de saudade... Ou até mesmo para oferecer-me uma manga ao pranto desesperado e infantil.

Faz muito, mas muito tempo que não tenho a mínima vontade de dar vida a meus sentimentos irracionais que não deliberam entre as possibilidades. Seja isto, porque minha vida tinha se acostumado a não estar acorrentada a aquele antigo anjo, ou seja lá o que fora... Isso tudo, meu amor, de saudade, passou a ser desespero. E a única coisa que consegui guardar disso foi a lembrança do quão amável você poderia ser e fora, e mesmo que tudo que tu dissesse fosse completa asneira, utopia e que corresse em minha mente como um filme no sense. Fora a tua alma bagunçada que sempre me foi convidativa... Acabando por organizar a minha maturidade reprimida.

Por fim, estranho... Era isso que eu queria lhe dizer, são quase dez horas da noite, o clima como sempre não é nada agradável... A Lua está dignamente linda... Agradeço-lhe ao tempo perdido. E ah, mande lembranças a merecedora da tua liberdade. Cuide-se até quando der, e a vida lhe permitir...

Até meu próximo desequilíbrio mental ou desastre, estranho.

"Não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois do fracasso e seguir em frente." Bukowski (Ah! Está tudo reorganizado, como os livros de empirismo em um uma prateleira de uma velha biblioteca, desde o último desgosto.)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Nitidez


Nitidez camuflada em esboço abstrato alinhado; Diante de cores vivas em prol de uma realidade morta; Ruído ao bater da porta, som do tiro sem alvo que vai-se abafado. Não há aviso de aparição, mas a harmoniosa inconstância de estar. Vai-se dia, ainda estando claro, permanece-se em angustia funérea. Volta-se e avança-se ao início, sem piedade nem mesmo tranquilidade. Recém atirado ao fogo, ateado a frieza do real. Não és Ades, não és deus, nem mesmo alteração sã. És ausência na presença.

Sem fundamento, nem eira, nem beira. Pouco possui destino, metafórico, porém uno. Onde está a substância? Onde está o sentido e a poesia? És um garoto com um tornado em suas mãos fracas, suspendidas por pulsos cortados por um passado irrelevante regado de inconsequência.

É o fim de mais um dia sem sombra, repleto de luz e ironia. O mundo sorri em nitidez morta que os pixeis projetam, a vida, a felicidade, a utopia regada de hipocrisia. Finda! Finda tudo isto! Carregue as verdades nas costas, mesmo que elas pesem, esqueça irreal que te cegaste por toda vida... Tampe os ouvidos, os tiros cessarão.

A tua mente correrá o mundo, todas as cores que nunca te mostraram que poderiam significar felicidade. O que está aqui é feito para amanhã degradar, é fugaz, como a juventude. Porém não como as verdades inatas. Que diante se ofusca diante dos holofotes, mostra ter outros olhos. Vão e inútil como a massa vital.