
Você é uma parte de mim, a qual eu nunca contei a ninguém. Talvez eu seja fraca demais por guardar algo que seja difícil de definir. Partes de você ainda me pertencem, sem elas eu estaria sozinha no escuro, sem a proteção de todos os anjos que me regiam... Ontem.
Todos os anjos estão mortos, e as verdades estão junto a eles debaixo da tumba que separou a realidade de ambos. E em algum lugar ainda resta vestígios de sentimentos plenos como antes? Eu realmente cansei de enfeitar palavras, inverter sentidos e resgatar prosopopéias... Eu apenas procurei por respostas, e um lugar seguro para que houvesse vida... Vida doce e amorosa, como dissera tu.
Mas já corri por minhas veias, para verificar se ainda há alguma partícula de esperança... É lá, restou apenas nossos antigos medos, e guerra de nossos opostos vitais, porém nenhum motivo. Já não é nem mais saudade, nem mais refúgio, nem mais angústia... Apenas é, e um “é” dentro de mim, que cada vez mais se torna impessoal e indiferente ao que foi... Mas ainda é. É sem eira nem beira, apenas porque está lá... E em algum momento há de sangrar.