Criei
uma imagem que me devorou, eu nem sei mais o que reflete, nem sei se pode
refletir ou morreu. Matei minha poesia, matei toda a vontade que tinha de ser,
deixei morrer quem imortalizei, saltei dentro e mim de tal forma que não
consigo mais me recuperar, eu me afoguei no tempo de tal forma que minha
potência não consegue me salvar por vontade. É a solidão do café frio, daquele
quarto que nunca fomos, da cadeira de balanço vazia, das páginas manchadas pelo
tempo e das metáforas baratas, juvenis e inconsequentes. Criminosas como minhas
feridas, como minhas vísceras... Não tenho mais adjetivos, não tenho a vontade
e nem constância nos meus 20 e poucos anos.