segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não é um conto do Bukowski

Ela se refez em pedaços de mil bobagens, de literatura libertina e de cenas baratas. E todos aqueles cheiros estavam impregnados nos sulcos da pele e da velha camisa xadrez, que não lhe cobria um quarto das coxas pálidas e marcadas, exalava o odor da displicência inata. E a metafísica crua de um ser sugado pelo ardor refletida em seu olhar languido que fitava as garrafas pelo tapete manchado. Talvez fosse o fim, o fim de si ou parte da fragmentação... Não! Ela é ególatra, não se deixa ir aos pedaços, o teu corpo se vai por inteiro em cada mordida, em cada tope... Mesmo que não seja ruiva de cima a baixo, mas está presa aos grilhões que são as próprias pernas e faz jus à tudo que lhe cobre.


Mas o que há pra se fazer? A vida não é um conto do Bukowski, sujas pelo teu sangue são as lentes da realidade.