domingo, 20 de outubro de 2013

eu alimentei o tempo
domei a lucidez
rimando com a acidez
e estupidez

tempo,
por que não
se alimenta
de mim?

"devorar-te-ei"
disse
o pêndulo

e a antropofagia
me salvou da nostalgia
da tua
vinda
que me evadia
a luz do dia.

sábado, 19 de outubro de 2013

Poema Dos Olhos Da Amada

Oh, minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus
[Vinicius de Moraes]

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Por que me olhas assim? Me olhas com a tua sinestesia de ser, o  teu emaranhado de confissões caducas e confusões itinerantes. A ênclise que me perdoe, mas me olhas e olhas sem que haja palavra atrativa, pois me olhas e só. Menina das gengivas inchadas, do sorriso enorme por que me vês assim?