Diário de [re]produção: devaneio, agosto.
Eu percebi que a língua francesa não era pra mim... s’appelle,
çava çava jê t’aime, jê suis nada. Nem todo aquele academicismo barato dos vãos
e das discussões que nos levavam às merdas que eram nossas e que empesteavam os
lares humanos daquele trabalhador que não podia dar de brincar aos seus filhos
descalços no mês de julho . E nos escondíamos atrás das páginas, das soluções e
utopias da madrugada, porque simplesmente precisávamos ser, mas às vezes só
parecermos engajados, mas na verdade enjaulados, pois éramos mera reprodução...
Nosso século se mata, mas não como no “mal do século”, mas de uma eloqüência reprodutiva
e infame, que Byron nos perdoe, mas nos jogamos a matilha sem arte e os suicidas
apáticos são estatística. Nos jogamos no mundo para sermos a arte mas nos
prendemos no paradigma da reprodução do que notavelmente se é. Eu não quero, eu
me recuso e me desprendo se em algum momento me sentir um elemento nocivo de
mim, das vertentes da minha metafísica e de toda porra que é sentir, mesmo que
uma merda, mesmo que em êxtase isto sim é Ser com letra maiúscula.
Eu me rendo a cair
por esses espinhos se for real facúndia, se me desprende da utopia dos vãos e
me saúdam: eu não quero mais existir. O meu francês é fracasso, mas a minha
arte é a sedução da minha existência, pois proletarei-me-ei a ela e me desfaço
e refaço em sua criação,mesmo que improdutiva, produz e não me deixar morrer
pra reproduzir discursos de ódio saudade amor e moralidades... Sem me render,
jamais serei poesia.
Pela dor e pelo amor, que eu não reproduza o argor do mundo
que eu produza o meu argo de dor.