segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Páginas, aromas, fotografias, outros ventos e garrafas sem rótulos. Eu queria te dar um pouco do meu amor mundano. Falar-te de Drummond até o fim da madrugada e das poesias verssilibristas nuas em minha mente. Sobre Elis, a brevidade da vida e do etílico que enche meu copo e elogia minha loucura com versos que jamais se apagam, que se deixam e vão.

Devorar-te com a vida que existe em meus olhos; Te ensurdecer com meu riso que soluça; Te embriagar com a minha lucidez que divaga sem heróis, mas com amor leve e te fazer sorrir, pelo menos uma vez, com a volúpia sacana do meu olhar que te fita. eros

sábado, 30 de novembro de 2013

Do amor

Poesia noturna, o que te faz tão ímpar? Talvez sejam as estradas frias e vazias que me querem, me chamam sem pudor. Não quero rumo, quero seguir ao idílico incessante. Que encham minha taça e que nunca a deixem vazia. E se chover, que seja  de forma fria e torrencial, porque o ardor interno é intenso mesmo que passe mil anos. Que o brilho nos meus olhos seja terno, eterno até o último suspiro da eterna juventude poética que é meu amor que joga meu corpo no mundo.

domingo, 20 de outubro de 2013

eu alimentei o tempo
domei a lucidez
rimando com a acidez
e estupidez

tempo,
por que não
se alimenta
de mim?

"devorar-te-ei"
disse
o pêndulo

e a antropofagia
me salvou da nostalgia
da tua
vinda
que me evadia
a luz do dia.

sábado, 19 de outubro de 2013

Poema Dos Olhos Da Amada

Oh, minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus
[Vinicius de Moraes]

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Por que me olhas assim? Me olhas com a tua sinestesia de ser, o  teu emaranhado de confissões caducas e confusões itinerantes. A ênclise que me perdoe, mas me olhas e olhas sem que haja palavra atrativa, pois me olhas e só. Menina das gengivas inchadas, do sorriso enorme por que me vês assim?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

poeta blue

o poeta quer dor
mas, clichês a parte

acordar ás sete, ir
embalado pelo
blues de existir

somos negros em alma
em arte
e os campos do sul
são blue
na poiésis da arte
que nos aparte


domingo, 1 de setembro de 2013

Devaneio dadá

Ambivalência, a suma e a dúvida oriunda de raiz proposital. O tolo é decifrável a esguelha da inaptidão para se queimar: o inferno, a liberdade. Elogio à minha loucura que quer fogo, brasa, cinzas. O fogo está em minha mente, em minhas mãos em meu amor. Relógios sem ponteiros, é lei ser fugaz e efêmero a lentidão do sim sem não. Minha vanguarda é o agora, meu devaneio é presente e desenganado, memória és trivial e excêntrica em sua permanência servil.
O fogo está em minhas mãos, o hoje está em mim e o ontem por decreto. O amor à pequenez do eterno retorno que me prega na cruz. O eterno olvido ao meu amor pelo mundo.

domingo, 7 de julho de 2013

Sobre as cinzas e o desejo.

Ele toma seu café pra fumar. Observa os carros e o movimento inerte dos homens canônicos e o céu, o breu de um dia ensolarado.
O amor é louco e a angústia incessante.
Ele acende o cigarro.
Sinto meu corpo e este faz alusão ao toco manuseado, saboreado, aceso, envolto por entre seus dedos.
 As minúcias do que é desejar. A mente torna-se plástica, maleável e volúvel; a anuência sendo negada.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Desejo e amor. Irmãos. Por vezes gêmeos; nunca, porém, gêmeos idênticos (univitelinos)

Desejo é vontade de consumir. Absorver, devorar, ingerir e digerir — aniquilar. O desejo não
precisa ser instigado por nada mais do que a presença da alteridade. Essa presença é desde sempre uma afronta e uma humilhação. O desejo é o ímpeto de vingar a afronta e evitar a humilhação. É uma compulsão a preencher a lacuna que separa da alteridade, na medida em que esta acena e repele, em que seduz com a promessa do inexplorado e irrita por sua obstinada e evasiva diferença. O desejo é um impulso que incita a despir a alteridade dessa diferença; portanto, a desempoderá-la [disempower]. Provar, explorar, tornar familiar e domesticar. Disso a alteridade emergiria com o ferrão da tentação arrancado e partido — quer dizer, se sobrevivesse ao tratamento. Mas são grandes as chances de que, nesse processo, suas sobras indigestas caiam do reino dos produtos de consumo para o dos refugos.

Os produtos de consumo atraem, os refugos repelem. Depois do desejo vem a remoção dos
refugos. É, ao que parece, como forçar o que é estranho a abandonar a alteridade e desfazer-se da carapaça dissecada que se congela na alegria da satisfação, pronta a dissolver-se tão logo se conclua a tarefa. Em sua essência, o desejo é um impulso de destruição. E, embora de forma oblíqua, de autodestruição: o desejo é contaminado, desde o seu nascimento, pela vontade de morrer. Esse é, porém, seu segredo mais bem guardado — sobretudo de si mesmo.

O amor, por outro lado, é a vontade de cuidar, e de preservar o objeto cuidado. Um impulso
centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que "está lá fora". Ingerir, absorver e assimilar o sujeito no objeto, e não vice-versa, como no caso do desejo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado. Amar diz respeito a auto-sobrevivência através da alteridade. E assim o amor significa um estímulo a proteger, alimentar, abrigar; e também à carícia, ao afago e ao mimo, ou a — ciumentamente — guardar, cercar, encarcerar. Amar significa estar a serviço, colocar-se à disposição, aguardar a ordem. Mas também pode significar expropriar e assumir a responsabilidade. Domínio mediante renúncia, sacrifício resultando em exaltação. O amor é irmão xifópago da sede de poder —nenhum dos dois sobreviveria à separação. 

Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua.

Tal como o desejo, o amor é uma ameaça ao seu objeto. O desejo destrói seu objeto, destruindo a si mesmo nesse processo; a rede protetora carinhosamente tecida pelo amor em torno de seu objeto escraviza esse objeto. O amor aprisiona e coloca o detido sob custódia. Ele prende para proteger o prisioneiro.

Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.

BAUMAN, Zygmunt. Fragmento de "Amor Líquido"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Não mortal

Amor, se és imortal não me entregue a carnificina de minha alma e memória atemporal. Não deixe que a afasia de minha voz te afaste por sua própria displicência... Mentes turvas que se elevam a cada toque, se envaidecem de coragem diante do fogo, do tempo último e primeiro.
Insensível tope voluptuoso és tu.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tempo,
Quem tem olhos para o tempo?
Quando estou
Um momento a mais já não estou mais.

Estampa minha face,
Ilustra minhas vertigens e volúpias
E me aborreça! Apareça e nunca
Deixe que te esqueça.

Tope, júbilo, chaga, fugacidade
Viva a ele, aos ponteiros paradoxais
A epopeia do homem passageiro

A imortalidade de Homero a Goethe
O eterno retorno...
O tempo!