segunda-feira, 18 de agosto de 2014


Diário de [re]produção: devaneio, agosto.
 
Eu percebi que a língua francesa não era pra mim... s’appelle, çava çava jê t’aime, jê suis nada. Nem todo aquele academicismo barato dos vãos e das discussões que nos levavam às merdas que eram nossas e que empesteavam os lares humanos daquele trabalhador que não podia dar de brincar aos seus filhos descalços no mês de julho . E nos escondíamos atrás das páginas, das soluções e utopias da madrugada, porque simplesmente precisávamos ser, mas às vezes só parecermos engajados, mas na verdade enjaulados, pois éramos mera reprodução... Nosso século se mata, mas não como no “mal do século”, mas de uma eloqüência reprodutiva e infame, que Byron nos perdoe, mas nos jogamos a matilha sem arte e os suicidas apáticos são estatística. Nos jogamos no mundo para sermos a arte mas nos prendemos no paradigma da reprodução do que notavelmente se é. Eu não quero, eu me recuso e me desprendo se em algum momento me sentir um elemento nocivo de mim, das vertentes da minha metafísica e de toda porra que é sentir, mesmo que uma merda, mesmo que em êxtase isto sim é Ser com letra maiúscula.
 Eu me rendo a cair por esses espinhos se for real facúndia, se me desprende da utopia dos vãos e me saúdam: eu não quero mais existir. O meu francês é fracasso, mas a minha arte é a sedução da minha existência, pois proletarei-me-ei a ela e me desfaço e refaço em sua criação,mesmo que improdutiva, produz e não me deixar morrer pra reproduzir discursos de ódio saudade amor e moralidades... Sem me render, jamais serei poesia.

Pela dor e pelo amor, que eu não reproduza o argor do mundo
que eu produza o meu argo de dor.

terça-feira, 24 de junho de 2014

kitsch

"- Ela é só uma criança, meu amor."
 Eu lhe dizia tomando meu último gole do que seja lá o que tinha naquele copo, dando o último trago e ajeitando as pernas.
 Copos vazios, mas cheios das dúvidas que eu te deixei...
 Ela é criança, mas não no modo de se fazer mulher. Não na forma de se atirar ao relento sem medo de ir tarde. Ela só sorri às cores e aos colírios, a literatura moderna stop, às palavras de Neruda em Canto Geral sem sentido algum de ser Tupac , mas ela te sorri fraterno, porém não te leva o desassossego.
 Eu sou tua cama, mesmo que desarrumada.
 Eu te espero no fim da noite quando nada mais tens a falar.
 Eu sou teu lembrar em meio ao olvido da ebriedade.
 Eu quero te levar pelo mundo, pelas mãos - se você quiser.


 Eu sou teu kitsch mais precioso.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

É resposta, resposta imunológica de meu organismo que escarra minha carnificina da ausência do que já nem sei o que é. É inspiração que se vai, se torna pó que me pergunta por que estou aqui. Putrefação e fumaça dos meus restos esquecidos por mim e tudo que seca minhas lágrimas inertes de quem se esvai na dor do mundo. Meu organismo pulsa, repuxa meus nervos em nome da dor, a dor de quem existe, a dor de quem o mundo infecta e adoece. O inferno não são os outros, o inferno está em mim, nas entranhas que elevam meu pensamento e que me deixam enquanto ser. A mesma existência que me beija os lábios no amor e nos meus fins, me escarra a boca em seus próprios grilhões. Ode a tua liberdade que me prende no existente estar pra existir, ode a mim, quem te fez.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mover-me em poesia;
Mover-me-ei
Moldei
Mudei

Away.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sentido sintético

Eu troco os sujeitos.
Invoco milhões de vozes.
Troco as falas
E implanto o caos na poesia.

Me desfaço dos sintagmas e
me desmancho no ar da minha
própria criação que exala o pólen
diminuto
enquanto ser.

Muto as cores
Transformo os pincéis em senhores
Os pontos em retas perpendiculares
Se entrecruzando com a sinestesia
In Tecniclor.

O almíscar da nostalgia
Juntamente com o odor putrefato
Da humanidade
Lá e cá e
Na Turquia.

Eu toco as âncoras do cotidiano
Ásperas e insustentavelmente
Fazem jus a
Mim
A ti,

Assim.

Senti e
há.

Fecho, DES.

Viver é a eterna espera do desfecho. É o nó górdio que a garganta não pôde conter. É o falso pesar de que somos aptos, natos. É o orgulho enlatado que nos conserva na inércia humana  do Não nas prateleiras do desdém.

A espera sufoca o amor mundano. Dilacera a desavergonhada esperança do Sim. Desfaz nossas vertentes de simplicidade espontânea; não nos resta nada além da poeira, devaneio desesperançoso que pontualmente espera para o desfecho que é tua catarse existencial, pífia.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mundo

Eu via os copos e os vultos malditos, eu sentia o calor insano, Eu só queria estar, acabar com a dor de existir e negar meus infernos. Eu queria a distopia de mim, acabar com meu terno poder de queimar e abater meu martírio. A reação instantânea da leveza do meu ser, que se suja e se purifica nas palavras agressivas e dolorosas do meu sim e do meu não, nunca talvez. Mergulhar nas minhas águas de fraquezas enérgicas e de dor pulsante que se esvai com poesia e mundo. Mundano amor.


E que encham meu copo, minha taça, minha vida, minha loucura mergulhada na insanidade vil.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não é um conto do Bukowski

Ela se refez em pedaços de mil bobagens, de literatura libertina e de cenas baratas. E todos aqueles cheiros estavam impregnados nos sulcos da pele e da velha camisa xadrez, que não lhe cobria um quarto das coxas pálidas e marcadas, exalava o odor da displicência inata. E a metafísica crua de um ser sugado pelo ardor refletida em seu olhar languido que fitava as garrafas pelo tapete manchado. Talvez fosse o fim, o fim de si ou parte da fragmentação... Não! Ela é ególatra, não se deixa ir aos pedaços, o teu corpo se vai por inteiro em cada mordida, em cada tope... Mesmo que não seja ruiva de cima a baixo, mas está presa aos grilhões que são as próprias pernas e faz jus à tudo que lhe cobre.


Mas o que há pra se fazer? A vida não é um conto do Bukowski, sujas pelo teu sangue são as lentes da realidade.