Eram mais das sombras que ali estavam, vistas pela última vez desde seu último encontro com a morte. Todo o ápice de seu declínio. Seus olhos ardiam, seu corpo estremecia como se sua alma pudesse saltar para fora. O tormento de nem se quer compreender o que era tudo aquilo. Milhões de viagens a caminho de todas as suas outras dimensões jamais exploradas.
E então, ele se perguntava, após voltar a si com uma taça de vinho tinto transbordando, sentado sobre uma poltrona de costas para a janela que dava direto para o vale, questionou-se: “E se eu morresse amanhã?” Um dos velhos poemas (e único) que decorara na infância por livre e espontânea vontade. Pensara que as sombras fossem sinais de que a qualquer instante pudesse partir para uma dimensão divina, ou, talvez fosse mais uma das tantas falhas de suas faculdades mentais, o que nunca admitira.
“Talvez seja cedo, ou tarde para partir. O mundo faz com que eu prossiga com todas as minhas dúvidas plenas de declínio e doces de sacrifício por não presumir. E se eu morresse amanhã? A aurora não presenciaria os momentos a brisa, com minha eterna amada... Na qual nem pudera conhecer ou tocar. Aquela presente em meus sonhos e resenhas eternamente intímas, pois essa fraqueza não deixei a mostrar.
Se eu morresse amanhã, alguns rostos mostrariam satisfação ao ouvir a marcha fúnebre de Chopin ás seis e meia da tarde, enquanto os corvos estariam velando meu corpo. Para que segundos depois pudessem se aproveitar de minha carne e beber o meu sangue até se debruçar sobre minha lápide, e gargalhar como Deus Zebu faria.
Mas juntamente com o triunfo de minha morte, a dor se esvaeceria. E todo o pecado seria então dilacerado no momento em que eu virasse cinza ao vento, a poeira maldita. Que seriam levadas aos meus deuses. E as trevas teriam parte do ser inerte. Dono da brigada de todo a possessão do inferno na terra.”
No mais súbito silêncio harmônico, profanou de todas as conjeturas em sua mente... Que na realidade não estava lotada de tanta insanidade, porém de profundidade. Sombras vagavam por volta de sua taça, puxando então sua mão. O barulho do vidro que espalhou-se pelo chão. O inferno não convidava a ninguém, apenas aterrorizava. E lá se foi uma alma sem discernimento de lá viver entre suas próprias sombras amargas, representadas por seus heróis (vilões) de infância.
O vinho fizera uma enorme mancha no tapete escuro, o cadáver descasava com um semblante sóbrio sobre a poltrona... Marcando um intenso fim silencioso. Hades comemorava como um cristão comemora em sua casa, em dia de ceia. Porém, comemorara pela eterna possessão, o que o divino jamais possuirá, mais um mortal doente pela vida. Foste algo breve...
Nota: A estória não tem ligação nenhuma com a autora.
@thhs_
sábado, 27 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Focus.

Eu sempre soube separar tudo que se tornava prioridade, e o que se tornava mera ambição. Dúvidas são eternamente intoleráveis, mas algumas vezes é necessário sentí-las para sermos persuasivos e manter o foco. O tempo, é outro fato, não é eterno. Não temos total controle das fases da nossa vida. Um dia se é, e no outro passa-se a ser devir. Somos mutáveis, perfeitas metamorfoses. Mas existe um problema entre a lagarta e a borboleta: Onde é que queremos chegar, e o quanto mais sábios estamos?
Mil anos podem se passar para um ser inerte, a eterna pedra que chora a margem do mar... E será o mesmo inábil de mil e um anos atrás. Nem todos nós estamos adeptos a mudar, e aceitar a isso não como uma imposição, mas como algo integrante da vida, assim como a morte. Porém, a morte é algo uno. Maniqueísta, o fim – até onde conhecemos. E mudar, é arriscar a cada vez estar em um patamar da vida... Mais vivo, mais intenso, mais amoroso... E não negue, que a vida possui duas faces, boa e má, pra ser um tanto extremista. Assim, como és tu – inúmeras personas.
O dia da vida, sábio, é o último... Assim até o momento de uma morte triunfal. Assim, terás a visão pelos olhos de uma criança, que está disposta a descobrir o que é a vida, a cada respirar. Não deixe a terra parar, o mundo entrar em lapsos rotineiros. Conhecer a ti mesmo, e o que te rege nunca será o suficiente, mas a sua busca sim. Não pare, reinvente-se... Renove a tua essência, sem perder o princípio – humano, o foco para uma vida plena de liberdade... Ser.
domingo, 21 de novembro de 2010
Old dead angel.

Hoje eu lembrei que existe algo que pulsa. Porém, eu não tenho coragem de dizer o que é – ou era. Pois é... Eu perdi todas as minhas forças por dois simples motivos: a minha dor se foi, mas ela era a causa do meu ápice, todo o meu calor de sentir. E outro que parte de mim precisou entregar-se ao triunfo da morte, dor que foi para a sombras de um passado incógnito... Que de tanto me sufocou, e por fim me libertou desta forma irrelevante que temo por abranger.
Talvez olhes para mim, e tenhas a sensação de que este mundo de que falo não exista, ou jamais existirá. Armadilha da minha armadura apática! Eu realmente quero sentir pelo menos mais uma vez na vida o que é ser ápice, triunfo e ruínas na vida de alguém que é livre para morrer mil e uma vezes ao meu lado. Mas eu me nego com todas as forças em meus pulsos, me acovardo diante das chances que a vida está trazendo de volta com a maré... Após a imensa onda de dúvidas que me levou para o profundo inerte fim... Sem que me deixasse respirar, muito menos raciocinar sobre o que realmente poderia ser. Mas voltando a ser, porém inerte a sentir realidades...
E se eu esquecesse toda a minha vida? Voltasse a ter o olhar acriançado e impermeável por façanhas passadas, sem experimentar tal fruto proibido de errar? Mas eu matei todos os meus anjos, não desejo mais que me guardem, porque anjos também traem. E em algum momento, não necessitas mais que alguém te resgate de teus pesadelos, ou de seus medos repressores infantis. Sorrisos teus, foram rasgados em pedaços jogados ao fim do abismo, junto com tuas asas pelo chão... Tuas cartas queimam em brasa e tua face é mais uma no meio da multidão. Tirei tua vida de minhas histórias fictícias, não fazes mais parte de minhas resenhas íntimas. Anjos mentem para manter o controle, e nossas vidas inerentes de possessão seguem para que não nos tornemos caos tenebroso. É, estranho, chega de tudo não é? Das palavras que tanto prezei para que fossem tuas... Parte de tua miséria de me possuir, acaba com a minha face indiferente a todas as tuas carências. Eu não morreria por isso...
Don't look back, you're safe now.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Libertar.

Sabe quando te dá vontade de correr sem destino e quebrar o silêncio com palavras perversas? Todos os meus pensamentos estão em torno de uma mesma tentação: nostalgia. O véu, os fantasmas e a poeira do que não é mais. Tudo que eu precisava... Não me fira por apenas ser o mais intenso e existente dentro e fora.
O mundo está em chamas, e os anjos estão caindo para manter o controle. O café está esfriando e o som da sinfonia se torna pífio diante da lentidão da chegada de soluções. És vã, és humana e estás eternamente perdida.
Talvez exista muito mais que um quebradiço coração que nada mais quer possuir, e muito menos se entregar. Algo que menosprezo. Como cacos de vidro no caminho, não me cortam mais. Porque sentir passou a ser improfícuo diante de tudo que tu és, ou era, mera ilusão que tive após minha guerra, e batalha perdida.
Hoje, me diga que sou fria. Mas se oportunidades nos coubessem... Não seria fácil viver, porque a tudo que restou, a faísca do ápice de uma vida plena de liberdade e amor... Eu me negaria e me nego a todos os meus desejos insanos, pois minha razão é incorruptível, armadura mais que suficiente. Viver como um vilipendiado, vil e deixado não faz meu gênero. Amargo doce fim.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Enjoy the silence.

Suas estrelas estão quebradas? Ou foram seus heróis que viraram fantasmas? É, você não pode construir uma vida sólida sobre a ruína alheia. Vida, sinônimo de guerra... Hora se está em batalha, hora na retaguarda. Por instantes a batalha é vencida, ou na derrota... Aproveite o silêncio.
Descobri o que realmente és: o ódio quando quero amar. És inconstante, ora amor, ora não és absolutamente nada: brasa. Pois tu estás presos em teu próprio mundo, repleto de espelhos logrados que te impedem de ver as marcas que deixaste por tua estrada mórbida, cravejada por desejos insanos. És triste, porém tua veracidade... É como propina em meio a putrefação da tua alma, engajada na tua miséria - possessão.
Então, estranho... Aproveite o silêncio. Momentâneamente, não quero dizer mais nada... Talvez diga, daqui mil anos, ventos vão e vem como a tua misericórdia de voltar ao meu mundo. Sou tua dor, somos seres recíprocos, sujos e que jamais serão limpos... Mas humanos, e é isso que nos foge do controle: humano é.
Volte esta noite para minha coleção de marionetes. A peça está pronta, teu sangue é quem dá vida as minhas palavras rústicas e perpétuas. Perverso fim de pessoas tolas que produzem histórias, querem ser fugazes como cometas... Mesmo sendo estrelas quebradas ao fim da madrugada. Aproveite o teu silêncio, ele gritará a tua sentença.
domingo, 7 de novembro de 2010
Wicked wish.

Quando milhões de vozes gritam milhares de soluções aversas, as histórias se contrapõem. As memórias ficam cada vez mais obscuras e o desespero fortalece-se como o triunfo da morte. Esta sátira de sua persona constante, que revelas a cada palavra escrita... Falo de mim, e todos os outros “eus” que mato ao escrever, a minha crueldade que dá vida a meus seres inanimados, a sentimentos encravados em meu peito inerte – prosopopéia.
E como se calar uma paixão? É ela quem dá sentido a vida; o meu escrever por entrelinhas sem te deixar levar minhas respostas antagônicas. Mesmo que minhas páginas sejam cheias de erros, ou o que eu diga seja bobagem poética mim a fora. Sentir é ser livre habitando um corpo em grilhões, pois o mundo externo não pode arrancar o que sentes na morada da tua realidade mente a dentro.
Chega de charlatanismo perante ao que se sente, essa é a humanidade. A dor e a liberdade, ambas gritam o que é o ofício do sentir. E não importa, se este sentir seja o vazio que está há tempos imóvel em uma mente doente... Devaneios, epifanias, explosões.
Há uma sombra, há uma brisa fria que contradiz o medo de realmente usufruir de palavras doces, mas veja o mundo lá fora, é um lugar repleto de árvores de plástico. Realize teu desejo perverso, seja.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Angústia ardente.

Hoje, até a solidão é um tormento. Começo, meio e fim sem sentido plausível e memórias que peleiam em minha mente. Por todo o teu pesadelo, não me seguro em anjo algum... Porque eles mentem para manter o controle de uma rosa brotada em possessão., tentativa efémera. Hoje e ontem ao sol vejo que há uma mancha para impedir que a visão se expanda, e que as portas para longe se abram.
Alma, a voz da mente que não quer ouvir. Noites que traem e levam o sono em busca de uma solução mútua. Olhos que ardem ao ver o romantismo arder de uma forma doce e amorosa... É medo e receio de todo o passado ilícito, em grilhões da liberdade do amor, mas o resto... É silêncio. Por ser em partes, partes de segredos irreversíveis de existir. Destrancar as ruínas de um coração e deixar a guarda, é como esperar a chuva em Novembro, ou a liberdade para um culpado em sentença perpétua.
O mundo está pegando fogo. Quem será Fénix que surgirá das cinzas, para o fim épico de uma angústia constante? O jogo em que a vida abriga é perverso. E batalhas fazem parte das estratégias de quem ainda não se salvou... E eu te vejo pelo vidro que impede... A razão e o motivo justo que o mundo me fez lutar. Coníferas inertes, assim como a dor adormecida do tempo.
É real? Ou é demais para questionar. Dentro da minha mente se ocupa o tormento, mas logo abaixo onde o amor não habita mais, a angústia e o temor. Ser cruel, é se livrar de barreiras que você não construiu... É apenas tornar o mundo mais simples por fora, mas complexo para sentir e ainda mais jorrar em palavras... Que por fim, não farão sentido.
"Dar-vos uma resposta sadia. Meu espírito está doente." Hamlet.
Assinar:
Comentários (Atom)