terça-feira, 24 de junho de 2014

kitsch

"- Ela é só uma criança, meu amor."
 Eu lhe dizia tomando meu último gole do que seja lá o que tinha naquele copo, dando o último trago e ajeitando as pernas.
 Copos vazios, mas cheios das dúvidas que eu te deixei...
 Ela é criança, mas não no modo de se fazer mulher. Não na forma de se atirar ao relento sem medo de ir tarde. Ela só sorri às cores e aos colírios, a literatura moderna stop, às palavras de Neruda em Canto Geral sem sentido algum de ser Tupac , mas ela te sorri fraterno, porém não te leva o desassossego.
 Eu sou tua cama, mesmo que desarrumada.
 Eu te espero no fim da noite quando nada mais tens a falar.
 Eu sou teu lembrar em meio ao olvido da ebriedade.
 Eu quero te levar pelo mundo, pelas mãos - se você quiser.


 Eu sou teu kitsch mais precioso.

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