A vida foi fugaz por si, e muito deixou para me assolar. Mas agora, nada mais sei, nem mesmo como sentir o que é, ou poderia ser real. É apenas um império de vazio que justifica o fim, o fim que ao menos me deixou respirar, porém me deixou sangrar. Um império de sujeira, e de medo, um império de sentimentos congelados por gelo nórdico.
Devo a mim um único perdão, por deixar a distimia tomar conta de tudo que ainda possuía cor, e não estava sujo por lágrimas de sangue. Devo me perdoar por me deixar morrer, como uma pedra que cai precipício abaixo. As sombras tomaram conta de tudo que ainda me era utópico e nostálgico, até que meus anjos se tornaram fantasmas. E a face de meus antigos heróis, hoje não passam de cadáveres mal decompostos. Frágil é a vida, frágil é sentir, frágil é possuir. Um dia se é vivo, e no outro não passa de um fantasma inerte diante da sepulto do que costumava a ser, sem dali poder voar.

Caia, caia então. A tua queda livre, o teu declínio diante de tuas faces fantasmagóricas e tua overdose de vazio imundo. Porque agora, é incapaz de sentir quaisquer humilde dor de amar, perder e precisar. Tornou-se o que sempre quis ser, apático e impermeável a qualquer dor e carência a se exaltar. O que então, tornou você a ser assim? Não és nem a sombra do que fostes ontem... Ou em outra vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário