
Declínio e esfalfamento. Estamos a um ponto tão extremo que nem minhas antigas músicas suprem o que eu chamava de solidão. A vida apenas está, e estou inquieta diante dela, porém sei que estou vazia. E então um mundo de possibilidades de preenchimento se abre a sua frente, vislumbro-me, e meus olhos até se ofuscam por medo, mas nenhuma delas se encaixa.
Quanto mais o tempo passa, por sua vez vai se perdendo relevância de certas escolhas. O passado passa significar um milhão de milhas de tua vida, mas o futuro te pesa mais a caminhar. E essa somatória de tudo que rege a vida, me faz ficar cada vez mais solta de minhas utopias genéricas de uma tarde de verão, mas ainda só, apenas eu e o mundo. Tão só que nem meu próprio ruído de dor posso ouvir, pois sinto e não sinto como vai e não vem, mas a certeza do “não” persiste.
Não há o extremo, não há o ápice e nem o declínio. O que tanto me irrita... Não chego a sentir o cruciforme que alastra o peito e que me leva a um caminho árduo, pois nada em minha vida dissemina, nada mais além de sentido, rotina.
E o que há de tão vazio em ser rotineiro e distímico? Minha hipérbole, o meu romantismo em tudo que toco. Eu quero. Eu sangro a vida de Goethe. Venero o suicídio e o amor amante, constante e categórico. Pois em toda minha vida, posso garantir, não há nada mais nocivo do que nada sentir quando lhe reproduzem a palavra “amor” ou “saudade”.
Garanto-te também, que não há fraqueza mais branda, em admitir o que se sente, fraco é o quem se nega. Porque o amor te traz distimia, te faz perder o sentido e cair na rotina (eu mesma lhe disse ali acima, é verídico), mas sem o que chamo de “amor amante”... Meus romances/desabafos/declarações jamais teriam existido. Também não teria trazido a vida memórias e carências de minha infância, o que tanto me traça um objetivo antigo, com mais intensidade. Ai surge-me a ideia do que eu fui, tantas coisas velhas foram jogadas fora e perdoadas por estarem ali a tanto tempo, e tantas outras ganharam espaço como essência. Não há como dizer que foi ruim, doeu, mas passou. Sangrou, mas fechou. Começou, mas como tudo ganhou fim. Sem suicídio do corpo, apenas de mais uma das mil e uma personas.
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