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“O banho estava frio, tanto que mal sentia em minha pele. Fechei meus olhos e deixei que a água levasse o restante de tulmutuosas linhas de pensamentos que afligiam minha mente, e mesmo que as mude mil vezes... ela ainda se afligirá e sangrará. E minha imagem no espelho já não é a mesma, minha cor está mais desvanecida que a de costume, meus olhos não possuem o mesmo brilho – nem mesmo se estiverem entorpecidos, minhas mãos estão cansadas e minhas face exibe todas as marcas de sorrisos desfeitos que se transformaram em cicatrizes profundas, irreversíveis.
Minhas vísceras se retorcem, se reduzem a meus segredos sujos. Porém, mostro-me indiferente a um miocárdio vazio e ofegante. É domingo de manhã, não há ninguém em casa... Assim me encontro depois de um banho de alma, de um auto-retrato no espelho que implorava por ajuda sem ao menos gritar, afogando-se lentamente em verdades ácidas. E ao sair porta fora, minha sombra corria por tudo que estava imóvel, mas ao mesmo tempo constante.
Contradições estavam estampadas nas paredes sujas de perdão em meu próprio quarto, as cortinas dançavam ao rítimo das canções sangrentas de desistências similares a perdas, lágrimas. E as portas se abriam a minha frente, fechando-se para a liberdade ao lado o oposto. Meus olhos apenas almejavam fechar-se, e minha mente não queria acreditar que quando os mesmos o fizessem, eu enxergaria o que se passava dentro de mim: desespero puro e proeminente. Deitei-me em meu pranto, em um utópico sono desperto, para que a assombração passada leve a essência amedrontadora da dor.”
Oscilações e pensamentos sombrios em momentos de vazio emocional. A falta de loucura e medo de fraquejar se desfazendo diante do não-ser. Fraqueza diante de ações transcendentes da insanidade, mas simultâneamente emancipando-se do que é ontem.
O auto-retrato em catarse de quem o desmembra em palavras curtas e sorrateiras. A morada de minhas alucinações sóbrias em um momento de vazio eterno, o que consegui captar em prosopopeia.
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