sábado, 22 de maio de 2010

Time.


"Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é a resposta a meu - a meu mistério." Clarice Lispector - A Hora da Estrela.

O meu vazio é gritante, extremo. Por mais que tenha tudo que preciso, não tenho tudo que quero... É um sentido contraditório, eu sou uma contradição. Na realidade minhas necessidades nada mais são do que partes do meu desejo e pretensão, tudo isso forma meu vazio.

E acreditar... É monótono acreditar em tudo. Mas precisamos disso, é parte ainda de nossa humanidade e é o que compõe a ética da razão e todo o nosso recesso mais profundo. Pois se todas as respostas estão entregues á nossas míseras mentes, de que duvidaremos? De que cresceremos? Parte do viver sem a solução do mistério que somos predestinados a ser, quanto mais misteriosa nos é a existência mais nos interessamos, é assim! Não há escapatória, não há como negar.

Já cansei de esperar pela primavera, também cansei de esperar respostas para incógnitas infinitas que tenho dentro e fora de mim, como o aroma das frutas da estação. Ah, quanto menos expectativas mais chances existem? Ou será o contrário? Ora expectativas nos incentivam, ora nos iludem... Outro mistério, e cabe a cada um acreditar no que lhe convém. Não é assim que funciona hoje em dia? Ah... O mundo está errado.

Ontem me criaram a um “molde”, mas hoje já não sei se sou tão doce e inocente como costumava a ser. Como aqueles que envelhecem ao passar dos dias, a cada batida do relógio atordoante da vida: tempo.

"Time can bring you down, time can bend your knees, time can break your heart.. Have you begging please!"

Um comentário: