
Os anjos estão despencando para o inferno, as mentiras somem assim como a sua imagem desaparece dentro da minha mente que não se sente mais perturbada. O tempo não cessa, os ponteiros do relógio são constantes, da mesma forma em que a vida corre por meus pulsos. E daqui você se foi, “amor”. Pensei que estivesse perdido você por aí, mas a realidade é que aí você sempre esteve e distante das minhas mãos, ambas que jamais te tocaram e nem te sentem mais.
Não foi em vão, tudo tem valor de aprendizagem recíproca. Só se aprende com aquilo que te faz cair e levantar de novo, sem medo de mais quedas. Também não posso reclamar, mas como diria Clarice Lispector: “O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.” Foi assim, uma vontade mais um impulso elevado a intensidade do curto tempo que me restava – como se fosse uma equação de sentimentos, pela instantânea curiosidade de experimentar e não ter a louca sensação de ficar imaginando como teria sido. É implexo de explicar, por mais que eu busque: não há explicação para tudo isso ter surgido com tal intensidade e força. Não sei como chegamos até aqui, assim...
Luzes se acendem, a paixão pela dor arranja um jeito de fugir e em seu lugar pensamentos dimanam. E a solidão ecoa como o alvedrio que jamais senti, agora sim... A vida volta a funcionar, pois sempre tive a tão sonhada oportunidade de recomeçar em um novo lugar, com novas pessoas e criar sonhos e perspectivas para cumprir... Sei de tudo isso, mas não crio pretensões demais, o chão existe para ser tocado, não é? Pois então deixar ser, e pelo mais difícil estou lutando, o esquecer.
Viver requer mais do que palavras, mais do que promessas vãs... Apenas para se acreditar no sentem. Sentimentos já são quase armas capitalistas ou mera bobagem poética, talvez seja assim pelo simples fato do ser humano ainda não ter encontrado respostas sãs para todos eles, o amor requer insanidade... Sentir eleva o peito, dispersa a razão de manter os pés no chão.
Amar só é bom quando nos é permitido, pois o fim de Romeu e Julieta foi a morte. Seth trocou a eternidade para que momentos depois perdesse Meg. E Danny morreu em combate na Segunda Guerra, acreditando que o amor de Evelyn era seu, enquanto ela estava apaixonada por seu melhor amigo. Entendeu o mistério disso? Está tudo trocado, ou nossas escolhas e realidade se chocam e com todo o impacto o amor vai para longe.
Camões... Um paradoxo total, com seus contras e a favores amorosos. O amor conhece o que é verdade, mas não desatina sem doer. Uma ferida que dói e se sente e muitas vezes não se está preso por vontade. Mas sem o amor nada seríamos. As canções de amor jamais seriam escritas, Romeu e Julieta não passariam a ser encenados e lidos por séculos, romance não seria um gênero da sétima arte e nem literário e quando olhasse para a Lua, não pensaria em quem está do outro lado a observar também, ela seria um mero satélite.
E depois de todo este devaneio filosófico, sentir passa a ser mais complexo ainda, não é definido, mas está a cada dia mais perto do fim. As mentiras desgastam, o sofrimento é apenas opcional. Tudo bem! Falta não fará, em ambas as partes.
Talvez eu tenha tido uma epifania, ou seja apenas a tua máscara de um velho personagem de uma história lírica que está caindo por terra, justificando então o breve e coevo... FIM!
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