sábado, 13 de março de 2010

Pretensões.



- Ás vezes, você é o amor da minha vida... Mas ás vezes, minha verdade dividida!– Isso é tudo que ela tinha para dizer? Quando tudo é feito para não durar, mas agora é difícil distinguir Céu de Inferno, luz de escuridão, trevas de Paraíso.

- A realidade se confundiu, e então você sangrou... Apenas para saber que estava viva... Para saber quem és, e existir um momento de verdades dentre todas as tuas mentiras e fantasias... No ápice do teu sentimento mais intenso, mais sincero. Mas também no ápice de toda a tua dor presente e futura. – Era tudo que tinha para lhe dizer, a verdade que ela não queria jamais ter escutado, então concluí – Você não aceita, que o livro tenha terminado sem uma última página.

Aos seus olhos brotara uma lágrima de dor. Verdades absolutas são mortíferas... Mas e quanto tudo aquilo que havia vivido? Lembranças serão meros momentos de nostalgia a partir de agora?

Já não conseguia nem dormir, nem sonhar... A estranha e doentia escuridão arrastava-se, fazendo com que se assustasse cada vez mais. Sendo seu único desejo naquele momento, era que teu anjo voltasse para casa, e fizesse parar de doer. Os dias passavam lentamente. E a indecisão de ligar, ouvir aquela voz traidora... Dentre todas, a única que a salvava de todos os teus demônios internos, medos e fraquezas...

Agora, ambos são duas almas perdidas... Com sentimentos ocultos, e perguntas sem respostas... O que encontram? Os velhos medos.
“Como eu queria que estivesse aqui...” – Foi assim que assinara sua carta, mais uma de muitas que não foram entregues... É pretensão demais, que ele ainda se lembre de seu nome, quem dirá do que sentia.

A solidão de quem jamais quis estar lá, de quem perdeu o brilho dentre tudo que fazia... Pelo simples medo de ter medo. Sem tentar. É complexo, acho que nós só iremos entender quando passarmos por algo do gênero, receio que dói... Vejo-a sofrer, mesmo que já tenha passado um ano desde então. Mas você pode ter certeza, que depois da tempestade... Virá a calmaria.

Será golpe do destino? Intervenção divina? Alinhamento dos planetas? Qual a explicação mais sensata para este tipo de coisa acontecer, em exata hora e lugar?

Ela já estava farta, de apenas olhar as fotos, ler cartas e escrever milhares delas... E se tentar agora? Fará diferença? Há tantos motivos para esquecer, mas existe uma única razão para isso... Amor! O amor é um Templo, a lei maior! E então, teremos nós uma solução para ela?

Se você, se você pudesse voltar
Não deixar isso queimar, não deixe isso desaparecer
Tenho certeza que não estou sendo rude
Mas é só sua atitude.


Eu só queria ter a simples ideia, o que você faria se pudesse possuí-la agora? Você prolongaria tudo isso? Ela ainda está envolvida...

Sentimentos e barreiras os impedem, e há ainda uma pretensão futura... De que ainda fiquem juntos, ao menos por um momento mais. Para poder terminar então, o livro... Que ainda está sem a última página.

Do you have to let it linger?

2 comentários:

  1. Nossa, que profundo esse texto. Sério mesmo. Que descrição de fatos, sentimentos. Fazia tempo que não lia algo assim.

    ResponderExcluir
  2. Muita obrigada Ivens... É acho que só sei descrever meus sentimentos assim, escrevendo. Saudades dos teus textos.

    ResponderExcluir