sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Ela acreditava em anjos..."


É difícil iniciar algo tão complexo, que consegue superar o meu nível de enredamento. Mas eu te pergunto: Você olhou para a Lua hoje? As noites me fazem valer o dia, mesmo que sejam quentes e ainda mais quando são chuvosas. É um tanto amargo ser só, mas esse gosto travento quando se trata de decepções é terno, pois não se espera nada... Seres humanos são súbitos e execrados, estúpidos em sua própria humanidade. Mas ao mesmo tempo, nesta mesma solidão cria-se um doce sacrifício de suprimir o futuro, o inexistente e intocável... O que se espera? Como se trilhar uma vida plena de integridade, mas ao mesmo tempo livre dos alentos exteriores? São irrelevâncias silmuntâneas de difícil alcance.

Talvez eu ainda acredite em anjos, e que eles possam me consertar. Mas minhas asas estão mesmo quebradas? “Você não precisa ser forte sempre!” Minhas fraquezas estão embutidas em meio a minha história curta, mas intensa. São cicatrizes que não preciso dizer, pois elas estão estampadas, só os cegos de espírito não podem enxergar. Marcas da alma são enfáticas e profundas.

O que mais eu posso minutar? É, ainda me resta direito, ainda me restam motivos... Mas o primordial, ainda me resta a distimia inconstante na obstinação dela. O meu lago de fogo se esquenta a cada palavra desatravancada.

Um tornado entre almas, o imprevisível e irregular é o que sou – ou o que restou. Mas nem tudo é sempre o mesmo, os tempos são cada vez mais estranhos repletos de solidão, ora não somos um, mas o mesmo.

"Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir - esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade." (Clarice Lispector)

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