terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lítio.


Os tempos medievais significam trevas, o medo do divino desconhecido... A intervenção sublime direta em tudo que era mundano.Me guardo em trevas, me tranco em infelicidade por medo de ser feliz, a neblina dentro da minha mente é intensa e eu não consigo enxergar o que realmente é ser bem aventurado na plenitude momentânea.

O ser humano está sempre correndo da dor, acreditando que a felicidade está próxima, quando na verdade ela está lá dentro... Por dentro das verdades que nos contamos antes de dormir, da liberdade que se sente ao lembrar das memórias da guardiã infância. Mas é muito mais cômodo pertencer a dor, porque assim não se espera mais nada... Me apaixonei pela amargura que criei a partir do que nunca entendi, das dúvidas humanas, pois todos nós as possuímos e algumas vezes elas têm poder de destruir a brigada da juventude, parte do que acreditamos e nos faz fraquejar diante da realidade crua, do que é a vida.

Onde está o antídoto? É, o lítio... Que equivale a se render, a felicidade será momentânea... Amanhã ou depois as palavras e os momentos perdem efeito. Algumas enfadam, outras causam angústia... Sem mais, a distimia é o êxtase de um poeta perdido em meio a felicidade, algo jamais tocado, algo nenhum pouco parecido com o sorriso de Monalisa, algo tão pouco sútil.

Estou convicta de que enquanto eu não me libertar de toda a distimia inata que possuo, não serei conhecedora de liberdade... Mentes ignotas não se libertam tão fácil por medo de perder a inspiração do que os faz realmente humanos... Mas a dor é inata assim como a depressão; a dor que desatina a cada suspiro, a cada badalar do relógio... A intensa dor de ser humano!

Lítio, eu não quero me trancar por dentro... Não se é um céu degrade, nem primavera. És tempestade ou um dia azul. Ou inverno ou verão, como é o céu, como é inferno.

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